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20 Julho 2011

Missão

Sempre achei que cada um de nós tem uma missão a cumprir na vida de outras pessoas e depois pode (deve) seguir para outra.
Bem, acho que acabei de finalizar mais uma missão.

09 Julho 2011

E pudesse eu não sentir

Às vezes não sei dizer como magoa, como me deixa triste… Nem sei, na verdade, o que pensar e, muito menos, como agir… Não sei explicar o quanto mudou. Tudo. Nós e o mundo que nos rodeia. Pensei sempre que éramos diferentes, mais fortes do que as circunstâncias. Não somos. Somos como todos os outros, vulneráveis. Não conscientemente, não porque queiramos, mas porque faz parte da essência do ser humano. E ainda assim, magoa. Não me caiem lágrimas, por maior que seja a vontade de chorar. É uma dor diferente, magoa no coração, cada vez mais vazio. Não te sei dizer, não consigo, confesso. Seria mil vezes pior se o soubesses, se alguém soubesse. É melhor assim. (Embora doa.) Foi tudo tão intenso que sempre achei impossível que ficasse tão vazio. Pouco resta. E é cada vez maior o fosso que nos separa. Gostava de nunca ter pensado nisto, desde a primeira vez. Agora é tarde demais para não sentir.

19 Abril 2011

"Sou de mim tudo o que já fui"

“Onde entro? Em que momento desta peça mal ensaiada me levanto e proclamo solenemente uma ordem, um pedido humilde, uma explicação final? Não a há, começo agora a saber, desesperadamente a compreender. Não a há. Espasmos, momentos, sim, fulgurações instantâneas, sim. O provisório. Tentar retirar daí o máximo, esquecer o futuro. Sou de mim tudo o que já fui. "

06 Março 2011

O ano do pensamento mágico

"Percebo agora que a minha insistência em passar aquela primeira noite sozinha acabou sendo mais complicada do que eu imaginava, mas tratava-se de um instinto primitivo
(...)
Em algum nível, eu acreditava que o que tinha ocorrido continuava podendo ser revertido. Era por isso que eu precisava ficar só.
(...)
Haveria sempre gente em casa, mas eu precisava que aquela primeira noite fosse solitária.
Eu precisava estar só para que ele pudesse voltar.
Esse foi o início do meu ano do pensamento mágico."

O ano do pensamento mágico, Joan Didion

04 Fevereiro 2011

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Eugénio de Andrade

03 Fevereiro 2011

Vem ter comigo

Vem ter comigo! Deixa a vida e o mundo e vem ter comigo! Vem iluminar o meu caminho, vem guiar-me! Dá-me a mão e vamos caminhar juntos. Fecha os olhos e deixa-te levar por nós. Vamos deixar as nossas pegadas na areia, vamos caminhar lado a lado, ver o sol pôr-se no horizonte e sentir o mar tocar-nos os pés.

Vem ter comigo! Cansa-me a ausência do teu corpo, magoa-me a inexistência do teu toque, cega-me não ter o teu olhar.

Vem ter comigo! O rio corre, mas não reflecte a tua imagem; o vento sopra, mas não traz o som das tuas palavras reconfortantes; a chuva cai, mas nenhuma daquelas gotas é uma lágrima tua; o tempo passa, mas tu não vens... Estou à tua espera! Tu conheces-me, sabes como estou vestida, sabes onde estou, sabes como estou, sabes os meus traços, os meus pensamentos. E sabes que estou aqui, à tua espera...

Então vem, vem ter comigo! Não consigo continuar sem ti, não consigo carregar o peso da saudade, não me conformo com a distância a que fomos submetidos. Não quero que tenham pena, não quero ter coragem, não quero ser lutadora, não quero ser forte, não quero ter saudades, só quero ter-te aqui!



(escrito a 10 Outubro 2008, mas está outra vez actual)

23 Janeiro 2011

Poder do povo?

Democracia. Sempre aprendi que significava o poder do povo. Mas e se o povo não quiser esse poder? Continuar-se-á a impor-lhe o poder?

É o que parece estar a acontecer em Portugal. Numa altura em que o país atravessa uma grave crise financeira, económica e social, em que diariamente "chovem" pressões da Europa, em que o FMI está na iminência de entrar no país para solucionar problemas que nós criámos e agora não conseguimos resolver... Numa altura em que é tão necessário um líder capaz, forte, empenhado e que inspire confiança a nível nacional e internacional... Como é que numa altura como esta mais de metade dos portugueses recusa-se a utilizar o seu poder?

É, na minha opinião, incompreensível a apatia dos portugueses face à situação do país, desperdiçando a oportunidade de se expressar, de fazera diferença, de marcar uma posição.

Por mais do que uma vez não exerci o meu direito de voto por me encontrar demasiado longe do local onde voto. Se calhar o mesmo acontece com muitos estudantes, e não só, que estão distantes do local onde estão registados e, por isso, não podem votar. É uma das maiores falhas do processo eleitoral e que deve ser resolvida urgentemente. O voto por correspondência está ultrapassado, é demasiado burocrático e moroso. Além do mais, a tecnologia está suficientemente avançada para permitir a criação de uma base de dados de eleitores a nível nacional, de modo a que se possa votar em qualquer mesa de voto.

Porém, não acredito que 53% dos portugueses estejam nesta situação. E também não considero que o frio ou a chuva sejam desculpas. São, sim, apenas mais um pretexto para o comodismo.
É fácil atribuir as culpas aos políticos, mas devia ter vergonha de o fazer quem não contribuiu com a sua opinião e o seu voto para a mudança. Ao não votar por opção própria, perde toda a legitimidade de criticar.

Revolta-me o comodismo e a apatia, a falta de valores e de objectivos. Perante isto, paira na minha mente uma pergunta: Que gente é esta?

05 Outubro 2010

Tudo é o que tem de ser.

Não peçam simpatia nem sorrisos forçados quando nem consigo olhar nos olhos. Não me perguntem o que se passou, quando nem eu sei. "Parece que o destino nos quebrou". Melhor ou pior, não sei. Diferente, tenho a certeza. Já nem sei o que penso, o que pensas, o que pensam. Não percebo, não quero perceber. Não quero ver.
Nesta confusão tão grande que se tornou a nossa vida, os nossos lugares, as nossas coisas, não há espaço para a lógica. Não consigo articular as palavras, as frases, os sentimentos. Tudo não passa de uma enorme confusão.

Tudo é o que tem de ser.
Descobrir e Renovar.

13 Agosto 2010

Brincadeira


É como um brinquedo novo. Quando o compras, nem chegas a pô-lo na prateleira. Só queres brincar com ele o dia inteiro, levá-lo contigo para todo o lado. Na maior parte das vezes, até dormes com ele na tua cabeceira.

Algum tempo depois, já não o trazes todas as noites para o quarto. (às vezes até ficano chão da sala) Começa a ficar em casa quando tu sais. Até que, numa das noites em que o levas para dormir contigo, esqueces-te que ele está lá. No dia seguinte, nem dás por ele. (nem no outro, e no outro, e no outro)

O teu brinquedo novo já não é mais novo. Aprendeste como funciona, já conheces todos os truques e até consegues manejá-lo de olhos fechados. A brincadeira é menos frequente, mas o certo é que ele continua lá, contigo, para quando o quiseres usar.

Um dia, um amigo teu vai visitar-te e descobre o teu brinquedo novo. Brincam a tarde inteira e divertem-se imenso. No final, ele pede-to emprestado. E tu ficas com ciúmes. (é o teu brinquedo novo, não vais dá-lo a ninguém) Mas acabas por emprestar, são só uns dias.
Durante esse tempo, dás por ti a olhar para a cabeceira todas as noites à procura do teu brinquedo novo. Tens saudades.
Entretanto, o teu amigo devolve-to e durantes uns dias, semanas talvez, não largas o brinquedo. Mas desta vez a fase de entusiasmo dura menos. Voltas a esquecê-lo. Se a tua mãe o puser na prateleira, vais demorar a reparar que ele está lá. (mas a verdade é que ele ainda está) Talvez um dia o percas sem te aperceberes, como já aconteceu com outros brinquedos novos.

Menos mal, é só um brinquedo. (Pior era se o fizesses com pessoas.)

16 Junho 2010


"Como há muito tempo não se ousava dar"